Dezembro 26, 2007
sapatos de bailarina e sonhos que nascem no coração.
Num canto escuro de um velho quarto há muito desocupado, entre dezenas de outros quartos, encontrava-se um baú de madeira empoeirado e gasto do tempo.
Em alguns lugares já começara mesmo o verniz a cair, devido à exposição à mudança de estação, ora fria, ora quente.
Já ninguém se lembrava bem do que este baú tão velho e esquecido como o quarto onde estava, continha.
Passavam-se os anos, chegavam as estações, ora com o cantar das andorinhas e o zunir das abelhas e borboletas, ora com o cantar nocturno e quente dos grilos.
Chegava também o vento bailando e agitando as portadas e fazendo estalar os vidros das janelas, e a neve, suave, acumulando-se nos parapeitos.
Ninguém entrava há anos naquele velho quarto, que em tempos fora novo e belo.
O papel de parede, outrora verde vivo com ramagens, perdera há muito a cor, começara mesmo a descolar em algumas partes.
Por cima dos móveis, erguia-se uma grossa e pesada camada de pó e insectos mortos.
A organza que envolvia a cama, outrora branca era agora de um creme acastanhado devido ao passar do tempo e á acumulação de sujidade.
Em cima de alguns móveis havia bibelôs, pequenos espelhos e porcelanas, gastas do pouco uso, e numa mesa, que parecia ser uma escrivaninha estava uma caixa de música de manivela, escura, de madrepérola, muito bela e valiosa.
Certo dia ouviu-se o som de carros a chegar. Era raro receberem visitas na casa, agora habitada apenas por uma velha senhora e a sua filha mais velha que não chegara a casar devido ao noivo ter sido atingido por uma bala perdida na guerra.
Há muito tempo que os outros filhos tinham saído de casa e se tinham mudado para a cidade, onde tinham os seus empregos e apartamentos, modernos e sofisticados.
Por isso foi com certa alegria e novidade, apesar do motivo ser triste, que receberam naquela manhã do inicio da Primavera aquela visita, um tanto ou quanto inesperada.
De dentro do carro saiu uma rapariga jovem, com um capuz cinza pérola e luvas de cetim a envolver as mãos.
Saiu do carro seguida pela mãe, uma senhora elegante, vestida de renda e veludo negro, com um chapéu de aba larga e olhar declinado pela tristeza.
Depois de se habituar à luz do sol que lhe batia directamente na cara aquela hora, a rapariga que se chamava Isabel ergueu os olhos de um azul acinzentado para a casa e suspirou.
O que iria ela fazer numa casa tão grande que mais parecia um palácio, longe de todos os seus amigos?
Como era doloroso tudo aquilo. Se a mãe soubesse como lhe custava.
Mas decidira poupar-lhe mais esse sofrimento, visto a sua dor já ser bastante grande.
O pai havia morrido de pneumonia há apenas duas semanas e a tristeza e o luto ainda andavam no ar como um cobertor incómodo.
Pegou na pequena maleta de viagem onde estavam os seus livros e cadernos da escola e soltando novo suspiro seguiu a mãe até à entrada onde a avó as esperava, juntamente com a tia.
Depois de as envolverem num grande abraço, no qual a avó começou a chorar, como uma alma perdida, levaram as bagagens para o andar de cima onde se encontravam os quantos e foram instalar-se.
O quarto que lhe coube era de uma amarelo azeite, tão brilhante que a chegou a irritar.
O chão cheirava a cera acabada de passar, e de um jarro, como que uma prece no meio do cenário, um tanto ou quanto enjoativo, estava um ramo de mimosas frescas acabadas de apanhar e um cesto com a fruta da época.
Foi sentar-se junto ao parapeito da janela.
A vista do quarto dava para a entrada da casa.
Preferia ter ficado num quarto com vista para o jardim ou para o pomar, pelo menos seria mais inspirador.
Atirou-se para cima da cama e pôs-se a pensar.
Iria ser estranha a ausência do pai todos os dias.
Estava já habituada a ausências esporádicas ver o pai ser capitão da marinha e passar várias semanas fora por vezes. Mas uma vida inteira?
Era algo que ela não conseguia imaginar.
Deslizou os dedos pelo cetim da colcha de cobria a cama até encontrar a mala de mão de onde tirou uma moldura de estanho pequena em que se via o pai com ela ao colo na proa de um dos navios da companhia da família.
Fora tirada na primeira viagem que fizeram os três e já se tinham passado 7 anos desde aquela data.
Estava sentada sobre os ombros dele com um grande sorriso na cara e a acenar. E a mãe a seu lado sorria ternamente também, mas não para a objectiva. Sorria para o pai.
Vieram-lhe as lágrimas aos olhos e como não queria chorar, decidiu sair do quarto e ir dar uma volta pelos jardins.
Desceu as escadas e foi dar com a mãe e a tia a conversar calmamente sobre literatura na sala de chá, enquanto um toro grosso crepitava na lareira.
Depois de beber um leite e comer um biscoito de gengibre, saiu com a autorização e dirigiu-se à parte de trás da casa onde ficavam os jardins e o pomar.
Andou um pouco entre as sebes e arvores e foi sentar-se nos bancos de pedra junto ao pequeno lago onde boiavam nenúfares,
Aqui e além viam-se pequenos pardais a coçar a terra em busca de insectos.
Deixou-se ficar um bocado, quieta, quase ausente de tudo a ver a água mover-se devagar ao sopro do vento que começava a soprar.
Parecia que ia chover. As nuvens ao fundo vinham já bastante carregadas, e as folhas das árvores abanavam constantemente.
Quando o frio se tornou insuportável decidiu que era tempo de regressar, não se queria constipar nem queria preocupar ninguém.
Podia ter apenas 11 anos, mas já era responsável.
Deu um salto do banco e começou a caminhar para casa.
No terreno ao lado, viam-se pastores a juntar o gado para cercaduras de madeira abrigadas.
Quando entrou dentro de casa chegou-lhe o bafo quente das lareiras acesas e a cheiro a pão acabado de fazer.
Dirigiu-se à cozinha a modos de verificar o andamento e foi dar com a mãe e a avó, que entretanto tinha chegado de uma visita a casa de uma amiga, a ajudar a cozinheira a preparar o jantar.
Era bom ver a mãe ocupada. Quanto mais actividade fizesse, menos tempo teria para pensar.
Sentou-se lá junto delas e foi apanhando lapsos da conversa.
A sua cabeça pairava agora sobre a cidade e os seus amigos.
Iria sentir imensas saudades deles, bem como do seu professor e da sua tutora.
A mãe tinha decidido que a partir dali iria receber instrução em casa, bem como também iria começar a ter aulas de canto.
Desde pequena que frequentava aulas de dança clássica, que na verdade era a sua grande paixão.
O pai tinha tido uma irmã, a sua preferida, a qual fora bailarina, mas que morrera aos 15 anos devido a febre afetosa.
A mãe nunca a incentivara nesta prática, apenas o pai.
Deste modo ficou triste quando a mãe lhe disse que iria deixar de receber essas aulas aquando da mudança, no entanto após muita insistência e por respeito à memória do pai a mãe acedeu, com a condição de receber aulas de piano também, essas sim muito próprias de uma menina de boas famílias.
Deixando estas reflexões dirigiram-se à sala de refeições.
O jantar seguiu-se calmo, e sem grandes delongas foram para a salinha sentar-se nas chaise long , a ouvir a tia tocar piano e a recitar textos dos clássicos .
Depois das nove e meia, após os desejos de boa noite retiraram-se cada qual para os seus aposentos.
Depois de vestir a camisa comprida de dormir deitou-se na cama grande, puxou os cobertores até ao pescoço e esperou que a mãe lhe viesse dar as boas noites.
Já não lhe contavam histórias. Como era crescida e já sabia ler, era uma tarefa sua.
Dantes era o pai que lhas lia, ou lhas contava, vindas lá do mar e dos países por ele conhecidos. Mas agora que o pai se fora e a mãe estava demasiado abatida, não lhe restava outra opção senão construir as suas próprias fantasias ou lê-las para si mesma.
Não que a tarefa lhe desagradasse. Puxar pela cabeça nunca fora um problema e se havia coisa que não lhe faltava era imaginação.
Até de sobra, segundo o seu professor.
Adormeceu calma e sonhou com o pai. Sentada sobre os seus ombros com a mãe a sorrir.
Os dias foram passando. Tinha aulas todos os dias de aritmética e português, de geografia e história dos reis e nações.
Aprendia também ciências e latim, grego e italiano.
Às terças e quintas tinha aula de dança e aos sábados e quartas de piano.
Estava a apanhar o jeito ao piano e isso era deveras agradável.
Participava também em visitas ao pomar para apanhar fruta ou à estufa para cuidar das plantas.
Não era tão mau assim estar ali, afinal.
No entanto com a chegada do fim do Verão chegaram as primeiras chuvas e o tempo arrefeceu impedindo-a de sair o que lhe deixava muito tempo livre sem nada para fazer.
Uma tarde, exausta de olhar para as paredes e depois de tentar tocar piano, de bordar o inicio do que se revelaria ser uma almofada e de brincar com Mathilda, a cadela da avó decidiu ir fazer uma excursão pela casa.
Já ali estava há quase 5 meses e ainda não fizera a ronda à casa.
Foi andando de quarto em quarto, de sala em sala, de salão em salão, até que entrou no último quarto do terceiro andar, um quarto mais pequeno que o seu, com paredes verdes e mobília coberta de pó.
Junto à janela de cortinas corridas estava um velho baú, já com a madeira a descascar e coberta de pó em cima de uma escrivaninha encontrava-se uma caixa de música escura com efeitos dourados e com iniciais num dos lados.
Limpou com a palma da mão o tampo da caixa de música e abriu-a.
Lá dentro encontrava-se uma pequena bailarina, com um vestido cor-de-rosa e suaves sapatos de cetim.
Deu à manivela e não soou qualquer tipo de som.
Deu mais um pouco de corda mas nada.
Apesar de triste decidiu não forçar mais, senão ainda poderia estragar aquela caixa de música tão bonita.
Olhou então para o velho baú e decidiu abri-lo.
Por sorte a chave encontrava-se na fechadura e não foi difícil rodá-la no orifício.
Abriu o baú ao som das dobradiças a ranger pelo desuso e deparou-se com imensas coisas interessantes.
Álbuns de fotografias, outra caixa de música, esta mais pequena e azul, um diploma de uma escola de dança, um fato desbotado que outrora fora púrpura mas agora meio acinzentado e uns quantos pares sapatos de bailarina.
Estava em êxtase.
Apesar de já ter o fato, de um branco pálido oferecido pela avó, ainda não tinha sapatos daqueles, de cetim com fitas de apertar, praticando com umas sapatilhas de pano, próprias, d apertar com botões.
Começou a experimentar cada par, mas apenas dois lhe serviam, ficando mesmo assim, um deles, um pouco folgado.
Colocou-se de pé e pôs-se em bicos de pés. Que sensação maravilhosa… fez meia pirueta e sentiu que não tinha peso no corpo, apenas alma.
Sempre que dançava, era como se o corpo lhe caísse por terra e a alma cansada da prisão do corpo voasse livre.
Rodou e rodou até ficar tonta de felicidade.
Iria pedir à avó para se mudar para aquele quarto.
Descalçou os sapatos enfiando apressadamente as botas correu a descer as escadas a pedir à avó autorização da mudança.
Esta estranhou, mas disse que a decisão cabia á mãe lembrando-a que ninguém dormia naquele andar.
Ora a coragem era algo que não lhe faltava e ter um andar só para si era bastante tentador.
A mãe torceu o nariz nobre à notícia, mas depois de muitas lamúrias anuiu, com a condição de Rosário, a empregada mais nova de mudar também ela para o terceiro andar.
A ideia não era desagradável, visto Rosário ser penas 3 anos mais velha que ela. Era filha da cozinheira.
Depois de quatro dias de limpezas e arrumações o quarto ficou pronto.
Foi removido o pó, as tapeçarias e cortinados foram lavados e tingidos novamente. O chão foi encerado. Até o velho baú, que ficou no quarto a seu pedido parecia brilhar.
António, que era o caseiro, colocara um pouco de óleo da manivela da caixa de música e esta agora emanava uma doce e lenta música, uma balsa harmoniosa e alegre.
Estava-se em Outubro e dali a 7 meses ir-se ia realizar o concurso nacional de bailado na capital.
Todos os anos se realizava em Maio o concurso nacional de dança. E este era o sonho de qualquer jovem bailarina que apenas podia começar a participar a partir dos 12 anos.
Ora ela fizera 12 anos em Setembro pelo que este seria o primeiro ano que poderia participar.
Todas as bailarinas começavam por esta altura a preparar as suas peças.
Quem ganhasse o concurso receberia além de um premio em dinheiro, a carta de admissão na melhor escola de bailado da Europa, a partir dos 15 anos.
Era o seu sonho desde o momento em que entrara na escola de artes pela mão do pai com apenas 5 anos de idade.
Devido à eminência do concurso as aulas de dança passaram a ser 4 vezes por semana, por vezes de 3 horas cada.
Estava a preparar uma peça dirigida pela sua professora e uma livre para apresentar ao público.
Assim, entre aulas, ensaios e serões musicais passou-se o Inverno e chegou a Primavera.
O facto de faltar apenas 2 meses para o concurso deixava-a apreensiva.
Tinha visto os álbuns da sua tia que fora bailarina e tinha lido partes de um caderno que ela escrevera e onde falava sobre o que sentia quando dançava.
Sabia também o quanto aquilo seria importante para o pai de estivesse vivo, e era por ele que se esforçava tanto e suportava as dores e o cansaço.
A mãe andava também ela um pouco ansiosa com tudo isto.
Via a filha crescer rápido demais e temia não lhe estar a dar o devido valor.
Foi no entanto uma surpresa quando na véspera do concurso, depois de chá da tarde e após uma longa saída da mãe e da tia, que lhe colocaram um embrulho enorme no colo.
Quase temia abrir, suspeitando já o que poderia ser o seu interior.
Dentro da caixa, envolvido em papel de seda estava um lindo fato de bailado pérola, com ela bela saia de tule.
Numa caixa mais pequena encontravam-se também as sapatinhas de bailarina, do mesmo tecido do fato e com tiras de prender às pernas.
Olhou para a mãe que lhe sorriu e vieram-me imediatamente as lágrimas aos olhos.
Não acreditava que aquilo lhe estivesse a acontecer.
Parecia um sonho.
Como o pai se sentiria feliz se ali estivesse.
Deitou-se mais cedo para poder descansar convenientemente e surpreendentemente dormiu bem e acordou calma com o toque morno da mãe.
Alguém tinha colocado a caixinha de musica a tocar e sobre a cama estava um rico pequeno-almoço.
Enquanto comia a mãe sorria.
O mesmo sorrido da fotografia.
Falaram pouco, mas podia perceber-se que a sua opinião sobre a dança mudara ao longo dos meses, ao ver a dedicação que a filha dedicava aquela actividade.
Não era o corpo dela que se movia, era o espírito dela, livre.
E nessas alturas enquanto a observava, via o mesmo brilho e espírito do marido reflectido nos olhos da sua filha.
Sobre uma cadeira a um canto estava o fato novo e os sapatos.
No entanto a mãe, depois de terminada a refeição, estendeu-lhe uma outra caixa.
Lá dentro estavam os sapatos de Constança, a irmã do pai, que Isabel tinha encontrado no fundo do velho baú.
A mãe tinha-os mandado arranjar e forrar imaginando que talvez Isabel se sentisse mais segura com eles ao invés de calcar os novos.
Há momentos em que a felicidade e a emoção não cabem no peito, e aquele momento era assim.
Dobrou-se sobre as mantas e abraçou fortemente a mãe.
Iria correr tudo bem.
Ela sabia que era possível conseguir.
Mas mesmo que não ganhasse, sabia que o pai, onde quer que estivesse, sentiria orgulho dela.
Depois de se vestir e de ensaiar uns últimos passos. Dirigiram-se à estação para apanhar o comboio para a capital.
A viagem durava cerca de uma hora e era bastante agradável.
Foi a viagem a falar de coisas simples com a mãe e a tia.
A avó já tinha partido no dia anterior, porque tinha umas coisas para tratar lá na capital.
Dirigiram-se ao anfiteatro nacional, e enquanto Isabel foi para as traseiras para os camarotes vestir-se, as restantes mulheres ocuparam os seus lugares na plateia.
Isabel era a 22ª candidata a participar, pelo que teria de esperar um bom bocado.
Mas com os nervos o tempo passou a correr e o coração quase lhe saltou do peito quando a chamaram.
Pousou levemente a fotografia do pai na mesa e fechando os olhos orou uma prece a pedir forças à sua tia Constança.
Dirigiu-se ao peito e inspirando fundo mostrou o que era a dança para ela ali, em frente de centenas de pessoas.
Sentiu o corpo cair e a alma elevar-se, como se tivesse asas e pudesse de facto voar.
Cada peça demorava cerca de 4 minutos.
Após a peça pedida pelos requisitos, veio a peça livre que Isabel tinha preparado com tanto empenho.
Dançou, girou, voou, e na sua mente apenas se formava a imagem do seu pai e da sua mãe a sorrir para ele.
Lembrou-se também de uma fotografia que tinha visto na sala de estar que mostrava uma linda rapariga vestida de bailarina a sorrir.
Sorriu também ela quando por fim deslizou e parou suave em frente a todos.
Poderia não ter ganho aquele concurso. Mas dentro de si ganhara como que uma nova vida.
Olhou de relance para a família e viu que estavam a chorar.
Aquilo tinha sido para elas também.
Saiu do palco e foi sentar-se à espera que as suas companheiras terminassem.
No fim dirigiram-se todas ao palco a fim de ouvir a decisão do júri.
O tempo parou. As respirações contiveram-se. Ninguém ousou falar.
Foi atribuído o terceiro lugar, que dava direito à escola de bailado da cidade a uma rapariga ali da capital.
O segundo lugar, para acesso á escola nacional de artes foi para a vencedora do ano anterior do prémio de mérito.
E o primeiro lugar… Isabel quase nem conseguia escutar…
O seu sonho… que lhe daria acesso a estudar na Europa, foi dado a uma jovem bailarina do Norte.
Sorriu.
Abriu os olhos e bateu palmas bem sonoramente.
Porem o júri mandou interromper os aplausos ao anunciar mais um nome. O seu nome.
Acabara de ganhar o premio de mérito de melhor bailarina de peça livre o que lhe daria acesso ao conservatório nacional de dança clássica e moderna.
As lágrimas corriam-lhe pelo rosto.
Só queria abraçar a mãe.
Olhou então para as sapatinhas daquela que fora sua tia e disse baixinho obrigado. Sentiu que a sua prece tinha sido escutada.
Sabia que de alguma forma, naquela tarde, não tinha sido apenas ela a dançar.
As velhas sapatilhas de cetim, tantos anos fechadas dentro de um baú escuro no canto de um quarto tinham finalmente alcançado o sonho da sua dona.
Dançar de alma e coração, no coração de centenas de pessoas.

nathalia disse,
Outubro 7, 2009 às 9:40 pm
perfect!!!
Gabriela de Oliveira disse,
Dezembro 12, 2009 às 6:17 pm
simplismente perfeiiiiiiiiiiiiiiiiiiito .